Fisioterapia após cirurgia: como funciona a reabilitação?

Depois de uma cirurgia de joelho, quadril, ombro ou coluna, a fisioterapia ajuda a recuperar movimento, força e confiança. Veja como costumam ser as fases da reabilitação e quando faz sentido começar em casa.

Profissional flexiona e eleva a perna de uma paciente deitada em uma maca dobrável, numa sala de estar.
Imagem ilustrativa (banco de imagens Pexels). As pessoas retratadas não são pacientes nem profissionais da Peifer Fisio.

Depois de uma cirurgia ortopédica, como uma prótese de joelho ou de quadril, a correção de uma fratura, a reconstrução de um ligamento ou uma cirurgia de coluna, o corpo precisa de tempo e de estímulo certo para voltar a funcionar bem. A fisioterapia é a parte do tratamento que cuida desse estímulo: recuperar a amplitude de movimento, a força, o equilíbrio e a confiança para retomar a rotina.

A regra número um: seguir as orientações da equipe que operou

Cada cirurgia tem suas restrições. Algumas exigem cuidados com certos movimentos por semanas; outras limitam quanto peso a perna operada pode receber; outras pedem o uso de tipoia, órtese ou muletas por um período. Essas orientações são definidas pela equipe que operou, a partir do que foi feito na cirurgia.

O fisioterapeuta trabalha dentro desses limites. Por isso, na primeira visita, é importante mostrar o relatório de alta, as orientações recebidas e, se houver, o pedido ou a prescrição de fisioterapia. A diretriz do NICE, do Reino Unido, sobre próteses de quadril, joelho e ombro recomenda que a reabilitação comece no dia da cirurgia, quando possível, e que a equipe de fisioterapia ou de terapia ocupacional oriente a reabilitação antes de a pessoa deixar o hospital, o que mostra como esse alinhamento começa cedo.

Como costumam ser as fases da reabilitação

O tempo de cada fase varia muito com o tipo de cirurgia, a idade, as condições de saúde e a forma como cada pessoa responde. A divisão abaixo é apenas uma referência geral.

Primeiros dias e semanas

O foco costuma ser o controle da dor e do inchaço (sempre dentro da conduta médica), a mobilização segura e as tarefas básicas: sair da cama, sentar, levantar, ir ao banheiro e andar com o apoio indicado, como andador ou muletas. Também entram exercícios para manter a circulação e ativar a musculatura sem forçar a área operada.

Recuperação do movimento e da força

Com a liberação da equipe médica, o trabalho avança para recuperar a amplitude de movimento e a força, de forma progressiva. Medir os ângulos ajuda a acompanhar a evolução de forma objetiva, como a capacidade de dobrar e esticar o joelho.

Retorno às atividades

Na fase final, o objetivo é a função completa para a rotina da pessoa: subir e descer escadas, andar distâncias maiores, entrar e sair do carro, voltar ao trabalho ou a atividades de lazer, quando liberadas.

Por que começar a reabilitação em casa

Nas primeiras semanas depois da cirurgia, sair de casa pode ser difícil: há dor, uso de muletas ou andador, restrição para dirigir e, às vezes, escadas no caminho. Nesse período, a fisioterapia domiciliar evita deslocamentos e permite treinar exatamente o que a pessoa precisa fazer no próprio ambiente.

A Organização Mundial da Saúde lembra que a reabilitação pode acontecer em casa e inclui adaptar o ambiente para aumentar a segurança e a independência. Na prática, isso significa, por exemplo, ajustar a altura de uma cadeira, organizar o caminho até o banheiro ou planejar a melhor forma de usar o box.

Para o atendimento domiciliar, a norma do COFFITO prevê avaliação, plano terapêutico com acompanhamento periódico, registro em prontuário mantido na casa do paciente e termo de consentimento. Vale conferir se o profissional segue esses cuidados.

O que observar entre as sessões

Alguns sinais merecem contato com a equipe médica, sem esperar a próxima sessão:

  • febre, vermelhidão, calor ou secreção no local da cirurgia;
  • inchaço ou dor que aumentam muito, em vez de melhorar com o tempo;
  • dor e inchaço na panturrilha;
  • piora súbita para apoiar o pé ou mexer a articulação.

Atenção: falta de ar súbita, dor no peito ou desmaio são emergências. Ligue para o SAMU (192).

Perguntas comuns

Preciso de pedido médico para fazer fisioterapia depois da cirurgia?

Depende de como o atendimento será pago e das orientações que você recebeu. De qualquer forma, as orientações da equipe que operou devem ser seguidas. O guia sobre pedido médico, plano e valor explica o que muda no particular e no plano de saúde.

Quantas sessões vou precisar?

Não há um número fixo. A frequência e a duração são definidas na avaliação e revistas conforme a evolução. Desconfie de pacotes fechados antes de qualquer avaliação.

Em resumo

A fisioterapia depois de uma cirurgia recupera movimento, força e autonomia em fases, sempre dentro das orientações da equipe que operou. Nas primeiras semanas, começar em casa pode facilitar muito. Para saber como funciona o atendimento, veja a página de fisioterapia pós-operatório em casa.

Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em emergências, ligue para o SAMU (192).

Referências

  1. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Joint replacement (primary): hip, knee and shoulder (NG157). 2020. Disponível em: nice.org.uk (abre em nova aba). Acesso em: 13 de outubro de 2026. Recomendações 1.10.1 e 1.10.2 conferidas na cópia do texto oficial arquivada pela Internet Archive (03/07/2026), porque o site do NICE bloqueia a leitura automática.
  2. Organização Mundial da Saúde (OMS). Rehabilitation (fact sheet). 2024. Disponível em: who.int (abre em nova aba). Acesso em: 13 de outubro de 2026.
  3. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), publicada no Diário Oficial da União em 17 fev. 2023. Resolução nº 565, de 9 de dezembro de 2022: normatiza a atuação do fisioterapeuta e da equipe de Fisioterapia na Atenção Domiciliar. 2022. Disponível em: ses.sp.bvs.br (abre em nova aba). Acesso em: 13 de outubro de 2026.

Autoria e revisão

Mayara Peifer, fisioterapeuta

Mayara Peifer

Fisioterapeuta responsável · CREFITO-3 204502-F

Formação: Graduada em Fisioterapia, com pós-graduação em Fisioterapia Cardiorrespiratória pelo Einstein

Responsável pelos atendimentos da Peifer Fisio, atende exclusivamente em domicílio, em São Paulo e região. Cada acompanhamento começa por uma avaliação individual, e o plano é montado a partir da rotina, da casa e dos objetivos de cada paciente, com orientações para a família e os cuidadores. Complementa a formação com cursos de atualização profissional.

Revisão técnica: Mayara Peifer (CREFITO-3 204502-F), em .

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